A atividade econômica brasileira recuou pelo segundo mês seguido em julho, iniciando o terceiro trimestre com retração maior do que a esperada, de acordo com dados do Banco Central divulgados nesta quarta-feira (16).O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica), considerado um sinalizador do PIB (Produto Interno Bruto), teve em julho queda de 0,2%, após ter contraído 0,8% em junho, mostraram dados dessazonalizados.O BC revisou para baixo o dado de junho, depois de ter informado queda de 0,6% anteriormente. A leitura de julho foi mais fraca do que a expectativa em pesquisa da Reuters de retração de 0,10%.Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o IBC-Br teve alta de 1,1%, enquanto no acumulado em 12 meses passou a um ganho de 1,5%, de acordo com números não dessazonalizados.O PIB teve, no segundo trimestre, crescimento de 0,5%, desacelerando ante os três meses anteriores diante da retração do consumo das famílias e da perda de dinamismo da indústria, de acordo com dados do IBGE divulgados no início deste mês.Uma desaceleração gradual da economia já era esperada, em meio a uma política monetária ainda restritiva e incertezas no cenário externo e com a eleição presidencial em outubro.Analistas esperam mais enfraquecimento econômico ao longo do segundo semestre."O dado de hoje reforça a nossa expectativa de desaceleração da economia brasileira no terceiro trimestre, onde devemos observar um PIB com crescimento próximo da estabilidade", avaliou Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos. A Selic está atualmente em 14,0% e o BC anuncia nesta quarta-feira sua decisão de política monetária, com expectativa de novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros."O IBC-Br reforça a percepção de que a economia brasileira está perdendo velocidade... Com a atividade mais fraca e a inflação dando sinais de desaceleração, existe espaço para continuar reduzindo os juros, mas as expectativas de inflação ainda acima da meta, o cenário fiscal e os riscos externos recomendam cautela", disse Pablo Spyer, conselheiro da Ancord (associação de corretoras e distribuidoras de valores).