Veículo: Jornal do Commercio
Editoria: Opinião
Tipo notícia: Editorial
Página: A3
Data de publicacao: 17/09/2026
Origem da notícia: Iniciativa da mídia
Categorias: CNI | Suframa
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Economia precisa de combustível

A redução da Selic de 14% para 13,75% ao ano, anunciada pelo Copom nesta quarta-feira, é um movimento na direção correta. O problema está na velocidade. Para uma economia que precisa recuperar fôlego, um corte de 0,25 ponto percentual ainda produz efeito limitado sobre o custo do dinheiro e sobre as decisões de investimento.A quinta redução consecutiva da taxa básica mostra que o ciclo de aperto monetário começa a ser revertido. A inflação acumulada em 12 meses até agosto chegou a 4,22%, segundo os dados citados pela Confederação Nacional da Indústria. As condições, portanto, permitem discutir uma política de juros menos restritiva.O ponto central é que a Selic continua elevada. O juro real, em torno de 9%, permanece muito acima da taxa real neutra estimada pelo próprio Banco Central, de 5%. Na prática, o crédito continua caro para empresas e consumidores. O financiamento perde atratividade. O capital de giro pesa mais no caixa. Projetos de investimento são adiados.É justamente esse combustível que falta à atividade econômica. A indústria, a construção, o comércio e os serviços precisam de crédito em condições capazes de sustentar produção, consumo e investimentos. Quando o dinheiro permanece caro, o empresário tende a preservar caixa em vez de ampliar capacidade. A família, por sua vez, reduz o consumo financiado.No Amazonas, o problema ganha contornos ainda mais delicados. A economia estadual convive com obstáculos próprios, que se somam ao ambiente nacional. A vazante dos rios, neste ano acima da média em vários pontos, volta a pressionar a logística, o abastecimento e os custos de transporte. Para uma economia dependente da circulação de cargas pelos rios e de uma cadeia produtiva distante dos grandes mercados consumidores, qualquer aumento de custo tem efeito direto sobre a atividade.Nesse cenário, juros ainda muito altos funcionam como mais um freio. A Zona Franca de Manaus precisa de condições para preservar investimentos, ampliar produção e enfrentar seus desafios de competitividade. O setor produtivo amazonense não pode depender de um único fator favorável para crescer. Precisa de crédito, infraestrutura, segurança logística e previsibilidade.A redução da Selic merece ser reconhecida como avanço. Mas o tamanho do corte deixa claro que o trabalho está longe de terminar. A política monetária precisa acompanhar a trajetória da inflação sem perder de vista os efeitos prolongados dos juros sobre a produção e o emprego.A economia brasileira precisa de estabilidade. Precisa, igualmente, de movimento. Com dinheiro caro demais, o crescimento perde força antes de ganhar velocidade. E, para o Amazonas, que já enfrenta dificuldades adicionais, esse custo pode ser ainda maior.