Veículo: Jornal do Commercio
Editoria: Economia
Tipo notícia: Reportagem
Página: A1-A5
Data de publicacao: 10/09/2026
Origem da notícia: Iniciativa da mídia
Categorias: FIEAM | Polo Industrial de Manaus
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Preços caem, mas PIM enfrenta pressão

A inflação média da indústria emendou um terceiro mês consecutivo de baixa, em julho. Os segmentos que las-treiam o PIM, contudo, foram na direção contrária. Conforme o IPP (Índice de Preços ao Produto), que não mede fretes e tributos, os preços médios ficaram 0,83% mais baixos em relação a junho. No mês anterior, o indicador do IBGE teve queda semelhante (-0,81%). O alívio nos preços foi puxado pela indústria extrativa (-4,38%), apesar do impasse na guerra do Oriente Médio. A indústria de transformação (+0,67%) -que é predominante no Polo Industrial de Manaus -teve contribuição mais tímida, em meio à explosão da demanda global por componentes para informática.

PIM enfrenta pressão nos custos

Queda média de 0,83% em julho contrasta com alta de 11,37% em equipamentos de informática e eletrônicosMARCO DASSORI @marco.dassori @jcommercioA inflação média da indústria emendou um terceiro mês consecutivo de baixa, em julho. Os segmentos que lastreiam o PIM, contudo, foram na direção contrária. Conforme o IPP (Índice de Preços ao Produto), que não mede fretes e tributos, os preços médios ficaram 0,83% mais baixos em relação a junho. No mês anterior, o indicador do IBGE teve queda semelhante (-0,81%). O alívio nos preços foi puxado pela indústria extrativa (-4,38%), apesar do impasse na guerra do Oriente Médio. A indústria de transformação (+0,67%) -que é predominante no Polo Industrial de Manaus -teve contribuição mais tímida, em meio à explosão da demanda global por componentes para informática.A variação dos preços de "porta de fábrica" veio em sentido inverso ao verificado na inflação oficial do mês. Medido pelo mesmo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IPCA pontuou elevação de apenas 0,07% em julho. No acumulado do ano, a cadência dos preços da indústria brasileira (+3,09%) já começa a mostrar menos força do que a verificada no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (+3,44%). Em um horizonte mais longo, no aglutinado dos 12 meses, a comparação é ainda mais favorável para o indicador da manufatura (+1,94% contra 4,44%, respectivamente), refletindo o cenário de acomodação após o conflito no Oriente Médio, entre outros fatores.Entre junho e julho, 11 das 24 atividades industriais pesquisadas para IPP do IBGE reduziram a marcha dos preços, principalmente as de refino de derivados de petróleo e biocombustíveis (-5,65%) e produtos químicos (-4,49%). No outro extremo, a alta mais intensa veio da divisão de "equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos" (+11,37%). Entre os segmentos de participação no PIM, apenas o de produtos de borracha e material plástico (-0,86%) ajudou na redução mensal. Já os subsetores de "produtos de metal" (+1,02%), "máquinas e equipamentos" (+0,91%), bebidas (+0,69%), "máquinas aparelhos e materiais elétricos" (+0,05%) e "outros equipamentos de transporte" (+0,15%), entre outros, foram na direção contrária.Pela perspectiva das "grandes categorias econômicas", o decréscimo mensal na indústria em geral foi induzido principalmente pelos bens intermediários (-1,83%), em mês de alta para os bens de capital (+2,75%). Os bens de consumo, que predominam no Polo Industrial de Manaus, tiveram redução mais modesta (-0,10%), com maior predominância dos bens de consumo duráveis (+0,37%) do que os semiduráveis e não duráveis (-0,05%). De janeiro a julho, os bens intermediários (+3,96%) sofreram maior encarecimento do que o verificado nos bens de capital (+2,84%) e os bens de consumo semiduráveis/não duráveis (+2,22%) e duráveis (+0,46%). Em 12 meses, a maior alva vem dos bens de capital (+3,70%).Informática e eletrônicosNo texto de divulgação da pesquisa, postado no site da Agência de Notícias IBGE, o órgão de pesquisa ressalta que o choque verificado no preço médio dos "equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos" não encontra paralelo na série histórica do setor, iniciada em janeiro de 2010. Ao longo de quase dez anos, os preços acumularam alta de 43%, mas avançaram 11,37% somente n a passagem de junho para julho de 2026. "Foi a primeira vez que se observou uma variação de dois dígitos na comparação entre meses consecutivos. Em mais de 16 anos, a variação mais intensa registrada nos preços da atividade havia sido um aumento de 5,63%, na passagem de março para abril de 2020, durante a eclosão da pandemia de Covid-19", salientou.De acordo com o IBGE, o aumento foi disseminado por toda a cadeia consumidora de memórias DRAM e NAND, in-sumos que sofreram forte reajuste no mercado internacional -a reboque, demais componentes eletrônicos e placas pressionaram o custo ao produtor. A alta coincidiu com a renovação de contratos de fornecimento de semicondutores e com a elevação dos preços internacionais de memórias e outros componentes eletrônicos. "Esse contexto ajuda a interpretar os reajustes observados nos segmentos de telefones celulares e computadores pessoais, cujos produtos estiveram entre as principais influências positivas da atividade no mês", pontuou.O refino de petróleo e bio-combustíveis (-5,65%) retraiu pelo terceiro mês, a despeito do "movimento de preços menos intenso" em óleo diesel e "gasolina exceto para aviação". A indústria química (-4,49%) foi impactada pela "demanda internacional ainda desaquecida e in-sumos contratados a custos mais favoráveis" na petroquímica. A atividade de "borracha e plástico" (-0,86%) foi influenciada pelo alívio nas linhas de produção de "chapa/semelhante de plástico não alveolares e não reforçadas", "filmes de material plástico para embalagem", "sacos de material plástico para embalagem ou transporte" e "espumas de poliuretano". "O resultado de julho reforça a percepção de uma gradual normalização da atividade após as pressões de custos registradas ao longo do segundo trimestre", resumiu o IBGE.“Custos pressionados”Nas palavras do presidente da Fieam e vice-presidente-exe-cutivo da CNI, Antonio Silva, os resultados do IPP refletem uma assimetria entre o alívio macroeconômico nacional, puxado pela indústria extrativa, e a realidade do Polo Industrial de Manaus. "Segmentos fundamentais para a nossa matriz, como informática e eletrônicos, registraram altas expressivas. Isso evidencia que os custos de porta de fábrica continuam pressionados para a manufatura de bens duráveis e de capital, exigindo cautela frente à percepção de uma deflação generalizada", destacou.No entendimento do dirigente, diante desse cenário, a conjuntura macroeconômica demanda prudência contínua. "A manutenção da taxa de juros em patamares elevados penaliza frontalmente o dinamismo do setor, limitando o crédito às famílias e o consequente escoamento da produção. Simultaneamente, a volatilidade global e as tensões geopolíticas mantêm as cadeias internacionais de suprimentos sob alerta, gerando incertezas sobre o custo dos insumos importados essenciais às nossas linhas de montagem", frisou.Antonio Silva salienta que, no âmbito regional, a expectativa de uma estiagem extrema desponta como o principal vetor de risco para repiques inflacionários de curto prazo. "A restrição na navegabilidade impõe severos gargalos logísticos e encarece fretes, comprimindo margens e ameaçando o ciclo produtivo. Diante dessa confluência de desafios financeiros e operacionais, o cenário exige rigoroso planejamento de estoques e forte articulação institucional para preservar a competitividade da nossa indústria", alertou.Para o contador, professor da Ufam e consultor empresarial com foco na indústria incentivada, André Costa, a tendência de curto prazo é a mesma. "Os números trazem alento. O PIM vinha sofrendo com o choque de preços na cadeia de hidrocarbo-netos, que afetou de modo mais forte o polo termoplástico, mas o índice do subsetor de refino e derivados teve queda razoável. O ponto de atenção vem do polo de bens de informática. A demanda por componentes não demonstra sinais de resfriamento e o mercado de consumo brasileiro segue aquecido. O Polo prossegue sendo um formador de preços no mercado, e deve ter de repassar essa diferença ao consumidor", concluiu.