Veículo: Jornal do Commercio - Manaus
Editoria: Notícias
Tipo notícia: Reportagem
Data de publicacao: 21/08/2026
Origem da notícia: Iniciativa da mídia
Categorias: Assunto de interesse | Polo Industrial de Manaus
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Mercado de motocicletas cresce e reforça peso do setor na economia do Amazonas


O mercado de motocicletas atravessa um dos momentos de maior expansão dos últimos anos e coloca o Amazonas, mais uma vez, no centro da indústria nacional de duas rodas.

Dados da Abraciclo mostram que as fabricantes instaladas no Polo Industrial de Manaus produziram 1.063.397 motocicletas entre janeiro e junho de 2026, crescimento de 6,3% em relação ao mesmo período do ano passado. É o melhor resultado para um primeiro semestre desde 2011.

O desempenho da indústria acompanha o avanço do consumo. No mesmo período, foram 1.174.344 motocicletas licenciadas no mercado brasileiro, alta de 14,1% sobre o primeiro semestre de 2025 e recorde histórico para os seis primeiros meses do ano.

O movimento também chegou ao mercado externo. As fabricantes instaladas no Polo Industrial de Manaus exportaram 24.084 motocicletas no primeiro semestre, crescimento de 29,4% na comparação anual.

Para a economia amazonense, os números têm um significado ainda maior. O Polo Industrial de Manaus atingiu neste ano a marca de 40 milhões de motocicletas produzidas ao longo de sua história, consolidando a indústria de duas rodas como uma das atividades relevantes da Zona Franca de Manaus.

Segundo a Abraciclo, as fabricantes do setor empregam diretamente mais de 20 mil pessoas em Manaus e mais de 150 mil trabalhadores em todo o país.

Uma cadeia econômica que vai além da fábrica

O crescimento da indústria também movimenta uma cadeia que começa na produção e se estende pelo comércio, financiamento, manutenção, peças, acessórios, combustíveis e serviços.

Outro aspecto é o uso profissional da motocicleta. Para trabalhadores autônomos, entregadores, vendedores e prestadores de serviços, o veículo pode representar uma ferramenta de trabalho e ampliar a capacidade de deslocamento e atendimento.

Esse cenário ajuda a explicar por que o acesso ao crédito ganhou importância dentro do mercado.

A motocicleta deixou de ser apenas uma alternativa de transporte para uma parcela dos consumidores e passou a ocupar espaço também na atividade econômica de famílias que dependem do veículo para trabalhar.

“Os números mostram que existe uma demanda consistente por motocicletas. E, quando olhamos para o Amazonas, precisamos considerar também o papel econômico desse veículo. Para muitas pessoas, a moto está diretamente relacionada ao trabalho e à geração de renda”, avalia Oduénavi Ribeiro, executivo do setor de motocicletas.

Crédito acompanha crescimento do mercado

Com o aumento da demanda, o acesso às modalidades de financiamento passa a ter papel importante para o desempenho do varejo.

É nesse contexto que surgiu no Amazonas o club7, metodologia desenvolvida por Oduénavi Ribeiro para acompanhar consumidores durante a jornada de aquisição de motocicletas por meio do LiberaCred, programa financeiro do Banco Yamaha.

A proposta trabalha com acompanhamento, planejamento e estímulo à pontualidade, buscando organizar a jornada financeira do consumidor.

“O crescimento do mercado mostra que existe procura. O desafio é fazer com que o acesso à motocicleta aconteça de maneira compatível com a realidade financeira de cada consumidor. O club7 nasceu justamente dessa observação”, explica Ribeiro.

Amazonas no centro do mercado nacional

O desempenho do setor também se reflete no varejo. Para Ribeiro, o resultado deve ser analisado dentro de um cenário maior de crescimento do setor.

“Antes de olhar para o resultado da operação, é importante olhar para o que está acontecendo com o mercado. O setor está crescendo, a produção está crescendo e os emplacamentos estão crescendo. O nosso trabalho acompanha esse movimento e procura entender como o consumidor amazonense está se relacionando com o crédito e com a motocicleta.”

A Abraciclo projeta que 2,07 milhões de motocicletas sejam produzidas no país em 2026, enquanto os licenciamentos devem chegar a 2,3 milhões de unidades, avanço estimado de 4,6% sobre 2025.

Os números indicam que o mercado de duas rodas deve continuar relevante para a economia brasileira ao longo do ano — e colocam o Polo Industrial de Manaus no centro dessa cadeia produtiva.