Veículo: Brasil Amazônia Agora
Editoria: Notícias
Tipo notícia: Reportagem
Data de publicacao: 21/05/2026
Origem da notícia: Iniciativa da mídia
Categorias: Assunto de interesse | Polo Industrial de Manaus | Suframa
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A reforma tributária e o destino estratégico da Amazônia

Por Átila Denys

Quero inicialmente agradecer a Pinheiro Neto Advogados pela recepção e pela parceria neste encontro que, com a participação da DDL – Denys, Dantas & Lopes, respondem pela construção conjunta deste debate que transcende a técnica jurídica e alcança uma dimensão maior: o futuro econômico, institucional e territorial do Brasil.

Discutir reforma tributária neste momento histórico, é discutir o país que desejamos construir nas próximas décadas. Para nós, amazônidas, esse debate possui ainda outra camada de significado. Ele envolve desenvolvimento regional, integração nacional, soberania, segurança jurídica, preservação ambiental e inclusão econômica.

A necessidade de reformar o sistema tributário brasileiro é evidente. O modelo atual tornou-se excessivamente complexo, litigioso, burocrático e ineficiente. Há distorções que comprometem investimentos, reduzem competitividade e dificultam a capacidade de crescimento da economia nacional. Simplificar tributos, racionalizar regras e ampliar a segurança jurídica são objetivos legítimos e necessários.

Mas toda grande transformação institucional exige capacidade de compreender as singularidades do país que se pretende reformar.

Poucas regiões revelam de maneira tão clara essa assimetria quanto a Amazônia. E poucas políticas públicas sintetizam de forma tão intensa as contradições e os desafios do desenvolvimento nacional quanto a Zona Franca de Manaus.

Ao longo dos anos, consolidou-se em parte do debate público uma leitura simplificada da Zona Franca, frequentemente reduzida à ideia de benefício fiscal. Essa interpretação ignora a origem, a função e o papel estratégico que o modelo desempenha dentro da arquitetura constitucional brasileira.

A Zona Franca não nasceu tão somente como política tributária. Ela surgiu como projeto de integração nacional.

Representou uma escolha estratégica do Estado brasileiro diante da Amazônia. Em vez de abandonar a região à lógica predatória dos ciclos extrativistas, o país decidiu estimular a presença econômica formal por meio da indústria, da tecnologia, da pesquisa, da geração de empregos e da urbanização produtiva.