Entrevista com Leopoldo Montenegro - Suframa 08.04.26Em entrevista exclusiva ao Bra-silAmazoniaAgora, o novo superintendente da SUFRAMA, Leopoldo Montenegro, projeta uma Zona Franca mais tecnológica, integrada à bioeconomia e posicionada como ativo estratégico na transição global Amazônia no centro da nova economia Por Alfredo Lopes BrasilAmazoniaAgora- Follow-up 06.04.2026Assumir a Superintendência da Zona Franca de Manaus neste momento é mais do que uma mudança de gestão. É ocupar um ponto sensível da reorganização econômica do país.O novo superintendente chega com uma leitura clara do contexto: o Brasil vive uma transição de modelo, e a Amazônia deixa de ser periferia para ocupar o centro da agenda estratégica.A aposta é direta. Uma economia mais limpa, mais tecnológica e com maior capacidade de agregar valor a partir dos ativos naturais da região."Podemos ser protagonistas do processo de passagem para uma economia mais limpa, mais agregadora de valor e mais intensiva no uso responsável dos bioativos regionais Leopoldo Montenegro -Superintendente da SuframaBAA - Zona Franca: de modelo questionado a ativo estratégicoLeopoldo Montenegro A Zona Franca de Manaus entra nesse novo ciclo com uma vantagem competitiva que começa a ser melhor compreendida.Enquanto o país busca rein-dustrialização, o modelo amazônico já opera alinhado a diretrizes como descarbonização, inovação e bioeconomia, pilares da Nova Indústria Brasil.A leitura institucional é objetiva. O Polo não é um resquício do passado, mas uma plataforma adaptada ao futuro.As três frentes imediatasO plano de ação inicial da nova gestão se organiza em três eixos operacionais claros:• Modernização da Suframa com digitalização de processos• Atração de novos investimentos para diversificação produtiva• Implementação das regras da reforma tributáriaO foco está na eficiência institucional e na criação de ambiente favorável ao investimento.A batalha da narrativaUm dos pontos mais sensíveis segue sendo a percepção externa sobre a Zona Franca.Críticas recorrentes ainda orbi-tam em torno de dois argumentos principais: custo fiscal e suposto isolamento econômico.A resposta vem em tom técnico.Somos os principais geradores de arrecadação federal na região, de emprego qualificado e de renda, além de contribuirmos para a conservação da floresta.A estratégia agora passa por reposicionar essa narrativa com dados, integração produtiva e impacto ambiental comprovado.Bioeconomia como expansão, não rupturaA integração entre indústria e bioeconomia aparece como um dos vetores mais relevantes.Mas o diagnóstico reconhece entraves estruturais:• Regularização fundiária• Assistência técnica ao produtor• Logística e escala• Agregação de valorA chave está na tecnologia.A bioeconomia, nesse contexto, não substitui o Polo Industrial. Ela o expande territorialmente.R$ 1,6 bilhão em inovação: o motor silenciosoOs investimentos em pesquisa e desenvolvimento começam a redesenhar o mapa produtivo da região.Em 2025, os aportes chegaram a cerca de R$ 1,6 bilhão, com crescente descentralização para outros estados daEsse movimento sinaliza uma transição importante: da concentração industrial para um ecossistema mais distribuído de inovação.Logística: o gargalo que define o futuroA crise das secas recentes expôs de forma contundente um problema histórico.Sem infraestrutura, não há competitividade.A agenda defendida pela Sufra-ma é conhecida, mas agora ganha urgência:• BR-319• Hidrovias operacionais• Integração multimodalO tema ultrapassa a gestão local e exige articulação federal.ESG como vantagem concretaA agenda ESG deixa de ser discurso e passa a operar como diferencial competitivo real.A iniciativa ZFM+ESG já mobiliza empresas do Polo, com impactos diretos:• Acesso a crédito mais barato • Redução de desperdícios• Valorização de mercadoMais do que isso, o ESG seconsolida como argumento institucional.Uma defesa baseada em evidência.Diálogo com a indústria: proximidade como métodoA gestão sinaliza continuidade na relação com o setor produtivo.CIEAM, FIEAM e empresas seguem como interlocutores diretos na identificação de entraves e construção de soluções.A governança se constrói na escuta.Segurança jurídica reforçadaUm dos pontos mais relevantes para investidores é tratado com firmeza.A avaliação é de que a Zona Franca atinge seu momento de maior estabilidade institucional após a reforma tributária.O efeito já aparece na prática: aumento de projetos e interesse internacional.Uma visão de futuro: indústria e floresta na mesma equaçãoA projeção para a próxima década sintetiza o reposicionamento estratégico da região.Uma Suframa mais digital e integrada.Um Polo Industrial de alta tecnologia.Uma Amazônia que transforma biodiversidade em inovação."Imagino um Polo que desenvolve tecnologia própria, aproveitando a biodiversidade de forma inteligente e sustentável."Quem é o novo superintendente da SuframaLeopoldo Augusto Melo Montenegro Juniorassumiu a Superintendência da Zona Franca de Manaus em março de 2026, em substituição a Bosco Saraiva, por nomeação oficial publicada no Diário Oficial da União.Servidor de carreira da própria Suframa, Montenegro construiu sua trajetória técnica dentro da autarquia, com atuação destacada nas áreas de projetos, inovação e políticas de desenvolvimento regional.É graduado em Direito e Administração, possui especializações em Gestão de Projetos e Gestão de Pessoas e é mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM).Antes de assumir o comando, ocupava a Superintendência Adjunta de Projetos, onde esteve diretamente envolvido no acompanhamento de investimentos industriais e na execução de políticas de pesquisa, desenvolvimento e inovação na Amazônia.Ao longo da carreira, também atuou no Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA) e em áreas estratégicas ligadas à Lei de Informática, com foco na articulação entre indústria, tecnologia e bioeconomia.Sua nomeação sinaliza uma transição com forte caráter técnico e de continuidade institucional, em um momento de reposicionamento estratégico da Zona Franca no contexto da nova política industrial brasileira.(*) Follow up é publicada as quartas, quintas e sextas-feiras no Jornal òd Cammerda do Amazonas sob a responsabilidade do CIEAM e coordenação editorial de Alfredo Lopes, editor do https://brasilamazoniaagora.com.br.*esta Coluna é publicada as quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. Editor responsável: Alfredo MR Lopes. cieam@cieam.com.br