Veículo: Jornal A Crítica
Editoria: Política
Tipo notícia: Reportagem
Página: A1-A5
Data de publicacao: 14/10/2026
Origem da notícia: Iniciativa da mídia
Tipo de valoração: Espontânea
Categorias: Polo Industrial de Manaus | Suframa

ZFM dribla vazante e projeta novo recorde

POLO DE DUAS RODAS PRODUÇÃO DE MOTOCICLETAS Abraciclo diz que setor fez a lição de casa e deve fechar o ano com 2,1 milhões de unidades produzidas.

Em meio à seca, Abraciclo prevê produção recorde

ZONA FRANCA


Presidente da entidade diz que fabricantes de motos aprenderam com a vazante recorde de 2023


LUCAS DOS SANTOS


politica@acritica.com


O presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), Marcos Bento, afirmou nesta terça-feira que o setor está preparado para a estiagem de 2026, que se acentuou nas últimas semanas, não correndo o risco de repetir o colapso de 2023. Segundo a associação, o polo de Duas Rodas projeta produzir 2,1 milhões de motocicletas até o final do ano, retornando aos patamares de 2011.


“Acho que a única coisa positiva daquela estiagem é que a gente consegue ter uma curva de aprendizado para chegar mais bem preparado para 2026. Como que a gente se prepara? Eu acho que os fabricantes aprenderam, a gente antecipa estoque, a gente encontra meios logísticos para não depender desse último trimestre que a gente sabe que a vazante vai ser maior e provavelmente o porto principal não vai funcionar”, disse.


Marcos Bento ressaltou ainda a atuação dos portos privados tanto na divulgação de informações sobre o nível dos rios quanto na implementação de soluções logísticas, além da desburocratização por parte do poder público. No entanto, existem ainda outros custos se avizinhando.


Nesta terça, o nível do rio Negro chegou a 17,62 metros, abaixo do piso definido pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) para que transportadoras cobrassem a chamada taxa da seca, uma tarifa que eleva o custo do frete.


“Com certeza a indústria sofre com aumento de custo no impacto logístico, e também porque a gente começa a competir com outros produtos essenciais, vamos dizer, com alimentos, remédios. Então, esse aumento de custo infelizmente vai ter um impacto para as indústrias”, frisou.


SEGURANÇA JURÍDICA


Questionado se haveria algum risco para a política de incentivos da Zona Franca de Manaus (ZFM) após o período eleitoral, Marcos  Bento informou que espera uma continuidade da política econômica regulatória e previsível para o modelo, incluindo todas as seguranças conquistadas na reforma tributária.


“O que esperamos é isso: um ambiente regulatório de segurança jurídica para que a gente continue a anunciar números positivos como hoje, com o volume de produção voltando ao patamar de 2,1 milhões de unidades, desenvolvimento regional, crescimento do número de empregos, como falamos hoje: 21,9 mil empregos diretos no Amazonas e mais de 154 mil postos de trabalho no Brasil”, disse.


Frase


“Acho que a única coisa positiva daquela estiagem é que a gente consegue ter uma curva de aprendizado para chegar mais bem preparado para 2026”


Marcos Bento


Presidente da Abraciclo



Setor projeta 2,1 milhões de motocicletas


Com a nova projeção de 2,1 milhões de motocicletas produzidas no Polo Industrial de Manaus (PIM) até o final do ano, a Abraciclo prevê um crescimento de 6% na produção em relação a 2025. A previsão anterior era de 2,07 milhões de unidades. A associação também elevou as projeções de varejo, com 2,35 milhões de motocicletas emplacadas neste ano, alta de 6,9% ante 2025.


Para o mercado externo, a Abraciclo projeta o embarque de 48 mil motocicletas, crescimento de 11,3% sobre o volume registrado em 2025. A previsão inicial era de 45 mil unidades exportadas.


Entre janeiro e setembro de 2026, mais de 1,6 milhão de motocicletas foram produzidas no PIM, uma alta de 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado, sendo o melhor desempenho do setor desde 2008. Só em setembro foram produzidas 186,7 mil unidades, melhor marca para o mês desde 2011.


A reportagem perguntou ao presidente da Abraciclo se essa expectativa de produção se manterá com a aprovação do fim da escala 6x1, cuja proposta está na pauta do Senado desta quarta-feira. “Com certeza demandará uma série de ajustes e impactos. Nesse momento, a gente aguarda com atenção, mas com certeza é uma questão matemática. Se nós fizermos um ajuste dessa grandeza sem que haja uma implementação gradativa, o impacto será muito grande no setor produtivo”, concluiu.


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