IMais do que nunca, o setor de duas rodas é um dos pilares mais importantes da Zona Franca de Manaus (ZFM), consolidando a região como o maior polo produtor de motocicletas do mundo, tirando o eixo asiático. A posição foi reafirmada em setembro, quando a indústria brasileira de motocicletas cresceu 10,4% em relação ao ano anterior, com mais de 186 mil unidades produzidas, segundo dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas (Abraciclo). Até setembro, o setor alcançou o seu melhor resultado desde 2008, com um total de 1,6 milhão de motocicletas produzidas no Polo Industrial de Manaus (PIM), o que representou alta de 9,9% em relação ao mesmo período de 2025. Isso é quase toda a capacidade de produção anual - 1,8 milhão de motos. Não resta dúvida que o segmento está a todo vapor.
Os dados revelam que duas rodas segue como um motor de desenvolvimento tecnológico, econômico e social indispensável para o modelo industrial amazonense. Mas é claro que há alertas: é fato que, em setembro - a despeito dos números robustos - houve recuo de 8,5% em relação a agosto deste ano. Ou seja, estamos vendo uma desaceleração na produção, que não é alarmante porque a base de comparação é extremamente positiva.
O recuo relativo do mês passado pode ser explicado por um conjunto de fatores. O primeiro deles é que a intensidade nas linhas de produção está diretamente relacionada às expectativas de vendas em meses próximos.
A indústria, claramente, acionou o modo de espera em face da eleição presidencial e dos desdobramentos do cenário macroeconômico. Ocorre que, independentemente do resultado das urnas no dia 25, é preciso manter e buscar formas de fortalecer o setor de duas rodas da Zona Franca. Trata-se de um dos poucos - ou talvez, único - segmento industrial que permaneceria em Manaus ainda que os atuais incentivos fiscais fossem cessados em um eventual governo radicalmente contrário à concessão de incentivos fiscais. Isso porque a produção de motocicletas em Manaus,
ao longo das últimas décadas, construiu por aqui o que os especialistas chamam de “cluster”, que é - a grosso modo - uma concentração de empresas que colaboram e até competem entre si para atender um segmento principal. Os próximos governos federal e estadual - precisam ter especial atenção ao setor de duas rodas da ZFM.