Veículo: BNC Brasil Norte Comunicação
Editoria: Municípios
Tipo notícia: Reportagem
Data de publicacao: 14/10/2026
Origem da notícia: Iniciativa da mídia
Tipo de valoração: Espontânea
Categorias: Assunto de interesse | Polo Industrial de Manaus

ZFM: setor projeta venda de 2,3 milhões de motocicletas no ano

Abraciclo revisa para cima projeções do setor de motocicletas no Polo Industrial, mantendo alerta sobre a estiagem.

A Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) elevou as projeções de produção, vendas e exportações de motocicletas para 2026.

Os novos números foram divulgados nesta terça-feira (13 de outubro), com base no desempenho da indústria instalada no polo industrial de Manaus e na demanda aquecida do mercado brasileiro.

A entidade estima agora que 2,35 milhões de motocicletas sejam emplacadas no país neste ano, crescimento de 6,9% em relação a 2025.

A previsão anterior era de 2,3 milhões de unidades. Para a produção, a projeção passou de 2,07 milhões para 2,1 milhões de motocicletas, avanço de 6% na comparação anual.

O presidente da Abraciclo, Marcos Bento, atribuiu a revisão ao crescimento sustentado do setor e à expansão da demanda.

“O mercado atravessa um momento favorável, impulsionado por lançamentos e pelo crescimento da demanda. A motocicleta ganha espaço como alternativa de mobilidade ágil, econômica e acessível, reduzindo custos, tempos de deslocamento e contribuindo para a geração de renda de milhões de brasileiros”, afirmou.

A expectativa para as exportações também aumentou. A Abraciclo passou a projetar o embarque de 48 mil motocicletas em 2026, ante 45 mil previstas anteriormente. Se confirmada, a estimativa representará crescimento de 11,3% em relação ao volume exportado no ano passado.

Melhor resultado desde 2008

De janeiro a setembro, as fabricantes instaladas na Zona Franca de Manaus produziram 1.645.034 motocicletas, alta de 9,9% em relação ao mesmo período de 2025. Segundo a Abraciclo, é o melhor resultado para os nove primeiros meses do ano desde 2008.

Em setembro, a produção chegou a 186.758 unidades, crescimento de 10,4% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Na comparação com agosto, porém, houve recuo de 8,5%.

O mercado interno também apresentou resultado positivo no acumulado do ano. Entre janeiro e setembro, foram emplacadas 1.783.972 motocicletas, recorde para o período e volume 10,5% superior ao registrado nos nove primeiros meses de 2025.

Em setembro, entretanto, os licenciamentos somaram 205.120 unidades, queda de 0,4% em relação ao mesmo mês do ano passado e de 0,1% na comparação mensal.

Na avaliação da entidade, a procura por modelos de maior cilindrada também contribui para o desempenho do setor. Entre janeiro e setembro, a produção de motocicletas de alta cilindrada cresceu 19,7%, alcançando 46.543 unidades.

“Há um movimento crescente por modelos de maior desempenho, conforto e tecnologia. É um público que busca uma experiência de pilotagem diferenciada”, explicou Marcos Bento.

Exportações crescem

Entre janeiro e setembro, as fabricantes associadas à Abraciclo exportaram 36.489 motocicletas, aumento de 23,7% em relação ao mesmo período de 2025.

Em setembro, os embarques totalizaram 4.826 unidades, recuo de 8,2% na comparação anual, mas avanço de 12,5% em relação a agosto.

Os resultados reforçam o peso do segmento de duas rodas para a economia amazonense, uma vez que a produção nacional de motocicletas está concentrada no Polo Industrial de Manaus. A manutenção do ritmo de crescimento, contudo, depende tanto da demanda doméstica e externa quanto das condições de abastecimento e transporte da indústria.

Estiagem preocupa logística da ZFM

Durante a apresentação das projeções, Marcos Bento afirmou que a indústria acompanha os efeitos das mudanças climáticas e se preparou para a estiagem na região Norte, que pode dificultar o transporte de cargas pelos rios amazônicos.

O presidente lembrou a experiência da seca severa de 2023, quando a redução dos níveis dos rios prejudicou o abastecimento de componentes e o escoamento da produção. Segundo a cobertura da coletiva, as empresas anteciparam medidas para reduzir os impactos logísticos e preservar o cumprimento das metas de produção.

“A expectativa é que no fim de outubro a gente tenha o momento mais crítico de seca. Mas o aprendizado que tivemos em 2023, onde a seca foi bastante severa, fez com que as indústrias se preparassem com antecedência […] Então, conseguiremos atingir o volume de produção que está projetado”, afirmou Bento.

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