Presidente da associação destacou retomada da produção e espera manutenção da segurança jurídica da ZFM após o fim das eleições

(Foto: Agência Brasil)
O presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), Marcos Bento, afirmou nesta terça-feira (13) que o setor está preparado para a estiagem de 2026, que se acentuou nas últimas semanas, não correndo o risco de repetir o colapso de 2023. Segundo a associação, o polo de Duas Rodas projeta produzir 2,1 milhões de motocicletas até o final do ano, retornando aos patamares de 2011.
“Acho que a única coisa positiva daquela estiagem é que a gente consegue ter uma curva de aprendizado para chegar mais bem preparado para 2026. Como que a gente se prepara? Eu acho que os fabricantes aprenderam, a gente antecipa estoque, a gente encontra meios logísticos para não depender desse último trimestre que a gente sabe que a vazante vai ser maior e provavelmente o porto principal não vai funcionar”, disse.Marcos Bento ressaltou ainda a atuação dos portos privados tanto na divulgação de informações sobre o nível dos rios quanto na implementação de soluções logísticas, além da desburocratização por parte do poder público. No entanto, existem ainda outros custos se avizinhando.
Nesta terça, o nível do rio Negro chegou a 17,62 metros, abaixo do piso definido pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) para que transportadoras cobrassem a chamada taxa da seca, uma tarifa que eleva o custo do frete.
“Com certeza a indústria sofre com aumento de custo no impacto logístico, e também porque a gente começa a competir com outros produtos essenciais, vamos dizer, com alimentos, remédios. Então, esse aumento de custo infelizmente vai ter um impacto para as indústrias”, frisou.Segurança jurídicaQuestionado se haveria algum risco para a política de incentivos da Zona Franca de Manaus (ZFM) após o período eleitoral, Marcos Bento informou que espera uma continuidade da política econômica regulatória e previsível para o modelo, incluindo todas as seguranças conquistadas na reforma tributária.
“O que esperamos é isso: um ambiente regulatório de segurança jurídica para que a gente continue a anunciar números positivos como hoje, com o volume de produção voltando ao patamar de 2,1 milhões de unidades, desenvolvimento regional, crescimento do número de empregos, como falamos hoje: 21,9 mil empregos diretos no Amazonas e mais de 154 mil postos de trabalho no Brasil”, disse.A reportagem perguntou também se essa expectativa de produção se manterá com a aprovação do fim da escala 6x1, cuja proposta está na pauta do Senado desta quarta-feira (14). O presidente da Abraciclo informou que o setor fez alguns levantamentos e classificou como desafiadora a implementação de uma nova escala “de maneira abrupta”.
“Com certeza demandará uma série de ajustes e impactos. Nesse momento, a gente aguarda com atenção, mas com certeza é uma questão matemática. Se nós fizermos um ajuste dessa grandeza sem que haja uma implementação gradativa, o impacto será muito grande no setor produtivo”, concluiu.
ElevaçãoCom a nova projeção de 2,1 milhões de motocicletas produzidas no Polo Industrial de Manaus (PIM) até o final do ano, a Abraciclo prevê um crescimento de 6% na produção em relação a 2025. A previsão anterior era de 2,07 milhões de unidades. A associação também elevou as projeções de varejo, com 2,35 milhões de motocicletas emplacadas neste ano, alta de 6,9% ante 2025.
Para o mercado externo, a Abraciclo projeta o embarque de 48 mil motocicletas, crescimento de 11,3% sobre o volume registrado em 2025. A previsão inicial era de 45 mil unidades exportadas.
Entre janeiro e setembro de 2026, mais de 1,6 milhão de motocicletas foram produzidas no PIM, uma alta de 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado, sendo o melhor desempenho do setor desde 2008. Só em setembro foram produzidas 186,7 mil unidades, melhor marca para o mês desde 2011.