Paralisação bloqueou vias de Manaus, afetou deslocamento de trabalhadores e terminou após acordo com reajuste de 5,5%
MARCO DASSORI
@marco.dassori @jcommercio
Uma greve relâmpago dos trabalhadores do serviço de fretamento de ônibus para o Distrito Industrial parou o PIM e grande parte de Manaus, na manhã desta quinta (20). Promovido pelo Sindespecial (Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Especiais de Manaus), o movimento grevista teve adesão próxima aos 100% e promoveu concentrações em 12 pontos da cidade. Conforme o IMMU (Instituto Municipal de Mobilidade Urbana), os trabalhadores instalaram bloqueios e causaram engarrafamentos na avenida Tor-quato Tapajós, zona Norte; na rotatória da Suframa, zona Sul; na Ponte Rio Negro, zona Oeste; na avenida Grande Circular, zona Leste; na rotatória da Samsung, zona Sul; e na avenida Pedro Teixeira, zona Centro-Oeste.
Os impactos não se restringiram ao atraso no deslocamento dos manauaras que tentavam chegar ao trabalho na manhã desta quinta (20). Logo pela manhã, órgãos públicos e entidades de classe saíram em campo, preocupadas com a possibilidade de uma paralisação prolongada. Em nota, a Suframa destacou que os bloqueios comprometiam o deslocamento de "expressivo contingente" de trabalhadores do PIM. "A continuidade desse cenário poderá ocasionar a paralisação ou redução de linhas de produção, além de repercutir nas cadeias de suprimento, no cumprimento de prazos contratuais e, de forma mais ampla, na atividade econômica e na política de desenvolvimento regional da Zona Franca de Manaus", alertou.
A greve, no entanto, foi encerrada logo no fim da manhã de ontem, após o Sindespecial fechar acordo com o Sifetram (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros por Fretamento do Estado do Amazonas), prevendo aumento de 5,5% para a categoria. A oferta inicial dos empresários era uma correção da 3%, abaixo da inflação do INPC, acumulada nos 12 meses encerrados em julho (+4,10%). Os trabalhadores tiveram um reajuste mais encorpado no auxílio-ali-mentação, que passou de R$ 165 para R$ 500. Já o valor da cesta básica passou de R$ 503 para R$ 520, uma diferença de 3,38%. O Sindespecial pleiteava também redução da jornada de trabalho e melhorias nas condições de trabalho para os motoristas.
“Medidas cabíveis”
Em nota, a Suframa informa que oficiou formalmente, nesta quinta (20), a PMAM (Polícia Militar do Estado do Amazonas), IMMU e a PRT-11/ MPT (Procuradoria Regional do Trabalho da 11® Região) acerca da paralisação promovida pelos trabalhadores do transporte de fretamento. A solicitação era para que os órgãos citados adotassem as "providências necessárias à ordenação do trânsito e, se necessário, à desobstrução das vias públicas afetadas, de modo a assegurar condições adequadas de circulação e acesso ao Distrito Industrial, preservado o exercício do direito de manifestação dos trabalhadores, nos termos da legislação aplicável".
Solicitou ainda que, "na avaliação e adoção das medidas cabíveis", fossem consideradas as repercussões da paralisação sobre o funcionamento do Distrito e sobre a política de desenvolvimento regional da ZFM. "A Suframa reafirma seu compromisso com a preservação da atividade produtiva, do emprego e do desenvolvimento regional, bem como com o diálogo institucional entre os órgãos competentes e os setores envolvidos. A autarquia permanece acompanhando a situação e mantendo interlocução institucional com representantes do setor produtivo, com o objetivo de obter informações sobre os impactos da mobilização e contribuir para a preservação das condições necessárias ao funcionamento das atividades econômicas do PIM", ressaltou.
A Prefeitura de Manaus também se manifestou. Em nota, o IMMU, informou que a paralisação promovida pelo Sindicato dos T rabalhadores em T ranspor-tes Especiais de Manaus "não possui qualquer relação com a prefeitura", já que a categoria reivindicava ajustes salariais "diretamente junto às empresas do setor". O Instituto Municipal de Mobilidade Urbana garantiu, no entanto, que seus agentes de trânsito estavam presentes nos locais dos bloqueios, "para orientar os condutores e atuar na organização do trânsito".
Em texto divulgado por sua assessoria de imprensa, o vice-governador do Amazonas, Serafim Corrêa, afirmou que acompanhou os desdobramentos da greve, desde as primeiras horas da manhã de ontem, "para evitar qualquer exagero, para evitar qualquer apedrejamento, qualquer tumulto". Mas, destacou que a paralisação em si era uma questão trabalhista entre o sindicato patronal e o sindicato dos trabalhadores, que deveria ser resolvida na Justiça do Trabalho. E defendeu que o diálogo "sincero, honesto, com o jogo aberto, sem reservas mentais" era o melhor caminho para evitar prejuízos à população.
"Parâmetros legais"
Em comunicado à imprensa a Fieam informa que o presidente da entidade, Antonio Silva, encaminhou solicitação ao MPAM, nesta quinta (20), pedindo "medidas urgentes" diante da paralisação do transporte espedal do PIM. Em documento enviado à ouvidora-geral do Ministério Público do Estado do Amazonas, Silvia Tuma, o dirigente informou que as interdições de tráfego dificultaram ou impediram a dr-culação dos ônibus que levam os empregados das fábricas do Polo Industrial de Manaus.