Veículo: Jornal do Commercio - Manaus
Editoria: Notícias
Tipo notícia: Reportagem
Data de publicacao: 08/04/2026
Origem da notícia: Iniciativa da mídia
Tipo de valoração: Espontânea
Categorias: Assunto de interesse

Emprego formal cresce em fevereiro

Amazonas abre 2.060 vagas com carteira assinada, puxado por serviços e concentração das contratações em Manaus.

O mercado de trabalho formal do Amazonas aumentou o ritmo de aquecimento, em fevereiro. Com 24.787 admissões e 22.727 desligamentos, o Estado abriu 2.060 vagas formais. O acréscimo de ocupações superou o dado de janeiro (+1.311), mas ficou aquém do patamar de 12 meses atrás (+3.303). O estoque celetista somou 576.307 vínculos ativos e foi elevado em 0,36% na variação mensal, ficando atrás da média nacional (+53%) e da região Norte (+0,43%). A criação de empregos com carteira assinada foi sustentada principalmente pelos serviços (+1.528). Manaus (+1.797) concentrou 87,23% do total das novas ocupações, em todos os setores econômicos.

O Estado avançou 0,62% no bimestre, ao criar 3.534 empregos celetistas, sendo sustentando principalmente pelos serviços (+2.732) e pela indústria (+1.240). O índice de expansão superou o conjunto das unidades federativas nortistas (+0,53%), mas ficou abaixo da performance brasileira (+0,76%). Em 12 meses, a alta das contratações no mercado de trabalho amazonense foi de 3,38%, somando 18.788 ocupações formais, em desempenho mais encorpado do que o da média do país (+2,19%) e da região Norte (+3,24%). Os números foram extraídos da base estatística do ‘Novo Caged’ e foram divulgados nesta terça (31), pelo Ministério do Trabalho, Emprego e Previdência.

O Brasil como um todo também teve mais admissões (+2.381.767) do que demissões (-2.126.446), em fevereiro. O saldo ficou positivo em 255.321 empregos (+0,53%), o dobro do apurado em janeiro (+112.334), mas ainda veio mais fraca do que a do mesmo mês do exercício anterior (+431.995). As contratações foram uma realidade para todas as cinco regiões brasileiras – especialmente para o Sul (+1,15%) – e todos os cinco setores econômicos – com destaque para os serviços (+177.953). O bimestre (+0,76% e 370.339) saiu fortalecido, assim como o acumulado dos 12 meses (+2,19% e 1.047.024).

 

Serviços e comércio

Quatro dos cinco setores econômicos do Amazonas tiveram saldos positivos de empregos, em fevereiro. A prestação de serviços liderou as contratações, com a criação de 1.528 postos de trabalho (+0,13%), superando a marca de janeiro (+1.147). A geração de empregos foi carreada pelo grupo que reúne “informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas” (+858) e pela administração pública (+569). Os serviços amazonenses totalizaram 2.732 vagas no bimestre, no melhor número absoluto do Estado, alcançando segunda maior taxa de elevação da lista (+1,06%).

No mês do Carnaval, e com as rendas de parte substancial das famílias ainda direcionadas para gastos com material escolar e outras dívidas, grupo que reúne “comércio e reparação de veículos” quebrou um jejum de dois meses e admitiu 229 trabalhadores. O saldo, contudo, foi insuficiente para repor as perdas de janeiro (-1.177). As contratações foram lideradas pelo varejo (+93), com os subsetores atacadista (+83) e de “reparação de automóveis e motocicletas” (+53) logo atrás. Em contraste, no aglutinado de 2026, o contingente de trabalhadores formais do comércio em geral do Amazonas segue negativo em 0,68%, graças à eliminação de 910 vagas.

Na mais recente entrevista concedida à reportagem, o presidente em exercício da Fecomercio-AM, Aderson Frota, reforçou a importância dos dois setores para a economia regional e avaliou que as perspectivas de contratações seguem positivas para 2026, a despeito dos impactos dos juros e da pressão da guerra sobre os preços. “Comércio e serviços continuam com desempenho destacado no mercado de trabalho, o que merece muita aplausos. Representa, acima de tudo, uma valorização muito grande para o nível dos trabalhadores, e também uma agregação de qualidade à nossa sociedade. São o nosso equilíbrio”, enfatizou.

 

Indústria de transformação

A indústria saiu da segunda posição para se tornar o setor que menos contratou, em fevereiro. O acréscimo de 40 postos de trabalho correspondeu a uma fração do saldo do mês anterior (+1.116). As admissões foram lideradas pelos segmentos de água, esgoto e gestão de resíduos (+102) e pela indústria extrativa (+4). O mês foi negativo para a indústria de transformação (-60), com perdas em 11 de suas 23 atividades. O melhor número veio da divisão de “outros equipamentos de transporte” (+133) e o pior, de “equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos” (-197). Em dois meses, a indústria em geral detém o segundo melhor saldo (+1.240) e avançou 0,86%. 

“Os dados indicam que o Estado, apesar de resiliente, ainda enfrenta dificuldades conjunturais. Sabemos que o setor fabril é o verdadeiro motor de empregos de maior valor agregado e estabilidade. O fato de a indústria não ter ancorado essa retomada evidencia que estamos perdendo o efeito cascata fundamental da manufatura. As causas perpassam gargalos conhecidos, como complexidade logística e custo do crédito. O reflexo é a estagnação da renda do trabalhador e a dificuldade de interiorizar o desenvolvimento. Para revertermos isso, é imperativo adotar políticas voltadas à competitividade e inovação do parque industrial”, analisou o presidente do Fieam, Antonio Silva.

 

Agropecuária e construção

A agropecuária emendou um terceiro mês de demissões em fevereiro (-47), em desempenho ainda pior do que o de janeiro (-18). As demissões se disseminaram pelos grupos que reúnem “agricultura, pecuária e serviços relacionados” (-26), produção florestal (-20) e “pesca e aquicultura” (-1). No acumulado do ano, foram extintas 65 vagas, gerando o maior decréscimo mensal do Estado (-1,33%). Em entrevista recente à reportagem, o presidente da Faea, Muni Lourenço, disse que, “apesar do decréscimo do começo do ano, as projeções do setor privado são de que 2026 mantenha a trajetória positiva de geração de empregos formais no campo amazonense”.

Já a construção emendou um segundo mês consecutivo de elevação de mão de obra, ao registrar 310 novos empregos, com a maior variação positiva da lista (+0,99%). Em janeiro, o setor havia gerado 243 vagas. As contratações de fevereiro vieram da atividade de “construção de edifícios” (+189) e nos serviços especializados para construção (+145), em detrimento das obras de infraestrutura (-24). De janeiro a fevereiro, as construtoras amazonenses tiveram saldo positivo de 537 postos de trabalho e ainda mantêm o maior índice de expansão da lista (+1,73%), nesse tipo de comparação. 

“Todo começo de ano costuma ser positivo, apesar das chuvas. O segmento imobiliário tende a continuar crescendo, porque tem muita obra a ser executada e contratada. Principalmente com verbas do Minha Casa Minha Vida, embora o padrão médio também tenha melhorado. Mas, a guerra no Oriente Médio está elevando muito os preços de insumos básicos, de derivados de petróleo e do frete. Os contratos são fechados, com os preços já formatados pelo governo federal, o que implica em desequilíbrio. Essa inflação também pode fazer com que a taxa Selic não baixe e, em junho, já vai ter reajuste de mão de obra. Mas vamos acompanhar”, concluiu o presidente do Sinduscon-AM, Frank Souza.

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