Com recuo de 0,14%, a divisa chegou ao terceiro pregão seguido de desvalorização e acumula baixa de 1,51% em fevereiro
Estadão Conteúdo
O dólar abriu a semana em leve queda no mercado doméstico, em linha com a desvalorização da moeda americana no exterior. Apesar de Donald Trump anunciar, no fim de semana, elevação de tarifas globais de 10% para 15%, a leitura é que a nova configuração da política comercial americana, após a Suprema Corte dos EUA decidir pela ilegalidade das chamadas tarifas recíprocas, é favorável ao Brasil.
Fora uma alta pontual no começo dos negócios, quando tocou máxima a R$ 5,1908, o dólar operou em baixa no restante do dia. Pela manhã, a taxa de câmbio rompeu o piso de R$ 5,15 e desceu até a mínima de R$ 5,1398. Com a virada do petróleo para o campo negativo e a diminuição das perdas da moeda americana lá fora, a divisa reduziu o ritmo de baixa e passou a tarde rondando os R$ 5,16.
No fim dos negócios, o dólar à vista recuava 0,14%, a R$ 5,1686, mais uma vez no menor valor de fechamento desde 28 de maio de 2024 (R$ 5,1540). Foi o terceiro pregão consecutivo de desvalorização da divisa, que já acumula baixa de 1,51% em fevereiro, após recuo de 4,40% em janeiro. No ano, a moeda americana cai 5,84% em relação ao real, que apresenta o melhor desempenho entre moedas latino-americanas no período.
Para o economista-chefe para a América Latina da Pantheon Macroeconomics, Andres Abadia, o mercado de câmbio global é marcado pelo enfraquecimento da moeda americana, o que beneficia sobretudo, divisas emergentes de países com juros altos, como as da América Latina.
"Com taxas de juros reais elevadas e um mercado profundo e líquido, o real se beneficiou mais que seus pares”, afirma Abadia, para quem a derrubada do tarifa-ço pela Suprema Corte dos EUA é favorável na margem à moeda brasileira. "Setores que enfrentavam tarifa de 50% ganham competitividade com taxa global de 15%. Isso reduz a pressão sobre os exportadores brasileiros e fortalece ligeiramente a posição externa do Brasil”.
Referência do desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, com destaque para o euro e o iene, o índice DXY operou em queda ao longo do dia e recuava cerca de 0,10% no fim da tarde, ao redor dos 97,700 pontos, após mínima aos 97,355 pontos.
No ano, o Dollar Index acumula queda superior a 0,60%. As taxas dos Treasu-ries recuaram em bloco, com queda de mais de 1,5% do yield dos papéis de 10 anos, enquanto as bolsas em NY recuaram mais de 1% - sintomas de redução de posições em ativos de risco.
O economista-chefe da WHG, Fernando Fenolio, afirma que há um debate intenso nos EUA sobre a possibilidade de impactos deflacionários mais acelerados com o avanço da inteligência artificial, o que leva a uma queda das taxas de juros americanas.
"Há a perspectiva de que a inteligência artificial afete vários mercados, o que pode levar a aumento do desemprego e desaceleração do PIB”, afirma Fenolio. "Com essa discussão, os juros americanos fecham e o dólar perde valor, o que beneficia o real”.