Veículo: AM Notícias
Editoria: Brasil
Tipo notícia: Reportagem
Data de publicacao: 24/02/2026
Origem da notícia: Iniciativa da mídia
Tipo de valoração: Espontânea
Categorias: CNI | Assunto de interesse

Corte da jornada de trabalho para 40 horas pode custar até 267 bilhões por ano

Estimativa divulgada nesta segunda-feira (23/02) aponta alta de até sete por cento na folha e impacto maior na construção e em empresas menores.

Nesta segunda-feira (23/02), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou um levantamento que estima que a proposta de redução da jornada semanal de 44 para 40 horas pode elevar entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano os custos com empregados formais na economia, o equivalente a um acréscimo de até sete por cento na folha de pagamentos. A projeção considera dois cenários para manter o nível atual de horas trabalhadas: pagamento de horas extras aos empregados atuais ou contratação de novos trabalhadores.

No recorte do setor industrial, a Confederação Nacional da Indústria estima que o impacto proporcional pode chegar a 11,1% da folha de salários, com aumento de despesas de R$ 87,8 bilhões ao ano no cenário de horas extras e de R$ 58,5 bilhões anuais no cenário de novas contratações.

Segundo o levantamento, os efeitos tendem a ser mais fortes na indústria da construção e nas micro e pequenas empresas industriais. Entre 32 setores industriais analisados, 21 apresentariam elevação de custos acima da média do setor, independentemente da estratégia adotada para manter o número de horas de produção.

A Confederação Nacional da Indústria também estimou variações por atividade econômica. Na indústria de transformação, o aumento projetado vai de 7,7% a 11,6%; na indústria da construção, de 8,8% a 13,2%; no comércio, entre 8,8% e 12,7%; e na agropecuária, de 7,7% a 13,5%.

De acordo com a Confederação Nacional da Indústria, a proposta teria como efeito imediato um aumento de aproximadamente 10% no valor da hora trabalhada regular para empregados cujo contrato atual exceda 40 horas semanais. A entidade afirma que, se as horas não forem repostas por horas extras ou contratações, a redução do limite semanal tende a resultar em queda da atividade econômica.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria, Ricardo Alban, declarou que, com base nos dados e nas análises da entidade, a tendência seria redução da produção e aumento do custo unitário do trabalho, com pressão de custos e perda de competitividade das empresas, o que pode afetar produção, emprego, renda e o Produto Interno Bruto.

No recorte por porte, a Confederação Nacional da Indústria estima que empresas industriais com até 9 empregados teriam alta de custos de R$ 6,8 bilhões no cenário de horas extras, com aumento de 13% nos gastos com pessoal. No mesmo cenário, empresas com 250 empregados ou mais teriam aumento de R$ 41,3 bilhões, equivalente a 9,8% nos gastos com pessoal.

No cenário de reposição por contratações, a estimativa é de alta de R$ 4,5 bilhões para indústrias com até 9 empregados, com aumento de 8,7% nos gastos com pessoal. Para empresas com 250 empregados ou mais, o aumento estimado é de R$ 27,5 bilhões, com alta de 6,6%. Ricardo Alban afirmou que micro e pequenas empresas, que a Confederação Nacional da Indústria estima responderem por 52% do emprego formal, tendem a ter maior dificuldade de adaptação por limitações de recursos e estrutura para ampliar equipes.

A Confederação Nacional da Indústria aponta ainda que, no cenário de maior impacto, a construção lidera, com projeção de 13,2% de aumento de custos, totalizando R$ 19,4 bilhões por ano. Na sequência aparecem a indústria de transformação, com 11,6% de aumento, os serviços industriais de utilidade pública, com 5,7%, e a indústria extrativa, com 4,7%.

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