Veículo: Jornal Vanguarda do Norte
Editoria: Economia
Tipo notícia: Reportagem
Página: 1-7
Data de publicacao: 24/02/2026
Origem da notícia: Iniciativa da mídia
Tipo de valoração: Espontânea
Categorias: Assunto de interesse

Presidente Lula assina acordos na Coreia do Sul e anuncia novo plano de cooperação comercial

Presidente Lula assina acordos na Coreia do Sul e anuncia novo plano de cooperação comercial

Auditorias para uva e carne bovina e expansão de exportação de carne suína estão na pauta bilateral


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumpriu, nesta segunda-feira (23/2), agenda oficial em Seul, na Coreia do Sul, onde participa da assinatura de acordos nas áreas de minerais críticos, comércio, saúde e tecnologia. Em reunião com o presidente Lee Jae-myung, os dois países anunciaram o fortalecimento da relação bilateral e um plano de ações para os próximos anos.


A visita é a terceira de Lula à Coreia do Sul. Ele esteve no país em 2005 e voltou em 2010, durante a Cúpula do G20. Desde então, segundo o presidente, não houve outra visita oficial brasileira. O petista afirmou que a retomada do diálogo busca reforçar os laços sociais e econômicos entre as duas nações e abrir um novo ciclo de cooperação.


Acordos de cooperação agrícola


O Ministério da Agricultura e Pecuária assinou nesta segunda-feira (23), em Seul, dois memorandos de entendimento com o governo da Coreia do Sul voltados ao fortalecimento da cooperação bilateral em agricultura, sanidade, inovação e desenvolvimento rural. Os atos foram celebrados na Casa Azul durante a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país asiático.


Segundo o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, a agenda marca uma nova etapa na relation bilateral, com foco na aproximação tecnológica e na ampliação de oportunidades para o setor agropecuário.


O primeiro acordo, firmado entre os ministérios da Agricultura dos dois países, prevê a ampliação do intercâmbio técnico e institucional nas áreas de ciência, tecnologia, agricultura digital, segurança alimentar e cadeias de abastecimento. O memorando inclui cooperação em medidas sanitárias e fitossanitárias, com harmonização de normas e troca de informações.


O documento também estabelece ações em infraestrutura agrícola, promoção de investimentos, intercâmbio científico e a criação de um Comitê de Cooperação Agrícola Brasil-Co-reia para acompanhar a implementação das iniciativas.


O segundo memorando reúne o Ministério da Agricultura e Pecuária, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e a Administração de Desenvolvimento Rural da Coreia.


O acordo estabelece cooperação para registro, avaliação e gestão de defensivos agrícolas e bioinsumos, além do intercâmbio de informações e do desenvolvimento de pesquisas conjuntas. Entre as ações previstas estão o compartilhamento de dados técnicos, intercâmbio de especialistas, programas de capacitação, workshops e projetos científicos.


Negociações para aberturas de mercado


A missão oficial brasileira à Coreia do Sul também registrou avanços em negociações para abertura e ampliação de mercados para produtos agropecuários, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária.


De acordo com o ministro Carlos Fávaro, o government sul-coreano confirmou o recebimento da documentação necessária para a exportação de ovos brasileiros, e a emissão do certificado sanitário deve ocorrer nos próximos dias.


Também foi anunciada a realização de auditoria por técnicos sul-coreanos para viabilizar a entrada da uva brasileira no mercado local.


Na área de proteínas, houve avanço nos processos para ampliação dos estados brasileiros autorizados a exportar carne suína. Estados reconhecidos como livres de febre aftosa e de peste suína clássica poderão ter suas análises avaliadas pelas autoridades sul-coreanas.


Em relação à carne bovina, o Brasil busca a abertura do mercado sul-coreano desde 2008. Segundo o ministro, a Coreia do Sul confirmou que realizará auditoria nas plantas frigoríficas brasileiras como parte do processo de habilitação.


O mercado de carne bovina sul-coreano é um dos quatro na Ásia que o governo brasileiro considera fechado por uma barreira política imposta por pressão dos Estados Unidos. Os outros são Japão, Vietnã e Turquia. A abertura desses três está encaminhada.


85% do frango importado


Na visita a Seul, o tema esteve entre uma das prioridades da agenda do presidente Lula, que o citou algumas vezes nesta segunda-feira em seus pronunciamentos públicos. Primeiro, ao lado do presidente do país, Lee Jae Myung, quando disse ter pedido a conclusão dos procedimentos sanitários para a exportação de carne bovina brasileira para "beneficiar os consumidores coreanos". Mais tarde, ao encerrar um fórum empresarial dos dois países, voltou ao assunto, com tiradas de humor.


"Quando o povo da Coreia quiser ter acesso à proteína, não se preocupe que o Brasil estará pronto para atender à demanda. E, mais ainda, vocês correm o risco de, se comprar carne dos EUA, estarem comprando carne brasileira", disse Lula, numa alusão à revenda do produto à Ásia por comerciantes americanos. "Porque o Brasil está em todos os lugares do planeta, produzindo proteína para atender à demanda do povo que quer comer muito, mas não quer engordar", concluiu o presidente.


Enquanto quase metade das importações de carne bovina feitas pela Coreia do Sul é dos Estados Unidos, 85% do frango importado pelo país vêm do Brasil.


A abertura do mercado sul--coreano depende de um diálogo mais próximo entre os países, para aumentar a confiança, disse Eddie Park, diretor-gerente da Highland foods, uma das maiores importadoras de frango brasileiro. A visita do presidente Lula é um empurrão importante para que as coisas aconteçam, afirmou Park.


"Tudo se resumirá a conversas entre os países sobre os pontos sensíveis, como tarifas e o aumento da confiança. A indústria do frango tem se saído muito bem nesse aspecto. Já estive no Brasil, vi as fábricas de processamento e elas são excelentes. O problema é que muita gente na Coreia não sabe disso", explicou. "Sei também que o Brasil é um pouco sensível às tarifas para, digamos, eletrônicos vindos da Coreia, ou até mesmo carros, automóveis. Então, é uma via de mão dupla", concluiu Park.


Intercâmbio de US$ 11 bilhões


No seu discurso, Lula também lembrou que o Brasil é o principal destino dos investimentos coreanos na América Latina. Com um intercâmbio de US$ 11 bilhões, a Coreia é o quarto parceiro comercial do Brasil na Ásia.


Para fomentar investimentos recíprocos, Lula disse que celebrou um Acordo-Quadro de Integração Comercial e Produtiva, que vai facilitar o comércio bilateral, promover harmonização regulatória e trazer mais segurança para empresas. E que discutiu caminhos para retomar as tratativas entre o país asiático e o Mercosul, interrompidas em 2021.


Nesta segunda-feira, foram assinados acordos em diversos temas:


Memorando de entendimento entre a Polícia Federal do Brasil e a Agência Nacional de Polícia da República da Coreia para o fortalecimento da cooperação policial.


Arranjo sobre Comércio e Integração Produtiva entre os governos do Brasil e da Coreia do Sul;


Memorando de entendimento entre o Ministério da Fazenda do Brasil e o Ministério de Finanças e Economia da Coreia do Sul sobre diálogo econômico e financeiro;


Memorando de entendimento entre o Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil e o Ministério da Agricultura, Alimentos e Assuntos Rurais da Coreia do Sul sobre cooperação no âmbito da agricultura;


Memorando de entendimento sobre cooperação entre o Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Administração de Desenvolvimento Rural da República da Coreia;


Memorando de entendimento sobre cooperação em saúde entre o Ministério da Saúde do Brasil e o Ministério da Saúde e Bem-Estar da Coreia do Sul; Memorando de entendimento entre o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa da Pequeno Porte do Brasil e o Ministério de Pequenas e Médias Empresas e Startups da Coreia do Sul para cooperação bilateral em Pequenas e Médias Empresas e Empreendedorismo;


Memorando de entendimento entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil e o Ministério da Ciência e Tecnologia da Informação e Comunicação da República da Coreia sobre cooperação no campo da Ciência e Tecnologia;


Memorando de entendimento entre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Ministério da Segurança de Alimentos e Medicamentos da República da Coreia sobre cooperação regulatória no campo de produtos relacionados à saúde;


Memorando de entendimento de cooperação entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária e Administração de Desenvolvimento Rural da República da Coreia.


Valoração
R$ 466.090,00
Saiba mais fazendo seu cadastro abaixo
* Campo obrigatório